segunda-feira, 22 de agosto de 2011
ácido
uma em uma multidão de rostos
Procurando fugir,
aprendendo a rir.
Não possuo o meu lugar,
sabendo que escondo muito bem onde quer que esteja.
Nunca poderei ser reconhecida e isso faço tão bem.
Passo desapercebida por onde vou, mas nunca esquecida por onde estive.
Foi quando lhe encontrei.
Você não existe...
nem aqui, nem em lugar algum.
É apenas fruto de minha imaginação fértil.
Ou não?
Já havia desistido, fui viver o resto de minha vida para não ter de acabar em espuma.
Quando, em meio aos devaneios, me segurou da queda.
Sorriu e me ajudou a ficar de pé.
Eu queria acabar e você me ajudou a andar.
Quando andei,
levou-me para a escuridão junto a aliados e desapareceu.
Sabia que estava segura, mesmo na escuridão, pois haviam amigos por perto.
Mas onde estava aquele quem me segurou?
Precisava andar e descobrir onde estava aquele quem me ajudava a andar.
Fui indo pra baixo, cada vez mais baixo.
Você estava lá, bem no fundo, acompanhado.
Saio, volto para as trevas,
saio para a luz da lua cheia.
Escuridão está em todos os lugares, mas a luz do luar me deixa calma.
Volto aos devaneios, desta vez não acreditando em mais nada.
Outro vem, me puxando para o além,
foi então que do nada apareceu:
"ela é minha".
...
...
...
Meus olhos brilharam mas de minhas bocas saíram apenas indagações.
Não pode sumir e proclamar propriedade...
é o que mais quero, portanto.
Um homem pra eu chamar de meu.
Eu ser a mulher de alguém.
mas você não existe não é?
Seria apenas
Fruto de minha imaginação?
sei que tem outra, outras tantas...
Eu sou quem em meio a isso?
Na verdade sou eu que não existo.
Não existo.
Não entendo mais nada.
Quem é você.
Quanto mais te conheço menos te entendo.
Quem é?
Esta vida me prega peças, acreditando acontecer o que nunca aconteceu nem ocorrerá.
Saudades, sinto pois não te vejo, não te ouço nem te sinto...
mas vejo, ouço e sinto sempre
Vejo sempre que fecho meus olhos,
ouço sempre que estou no silêncio.
Sinto toda vez que estou parada e sozinha.
Quem é você?
Quero tocar e sentir que existe.
Quero ser tocada para sentir que existo.
Possuir e ser possuída.
Sem medo, sem dó e sem pudor.
Tempo passa muito devagar
fazendo com que acredite que não passou.
Tempo tão relativo.
E sempre volta o ciclo
Volte ciclo.
Meu corpo desvanece com sua lembrança.
Queima com esta memória.
Arde como ácido
corroendo a minha alma.
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